| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Passeriformes |
| Subordem: | Passeri |
| Parvordem: | Passerida |
| Família: | Thraupidae |
| Cabanis, 1847 | |
| Subfamília: | Porphyrospizinae |
| Burns, Shultz, Title, Mason, Barker, Klicka, Lanyon & Lovette, 2014 | |
| Espécie: | P. caerulescens |
O campainha-azul é uma ave passeriforme da família Thraupidae. Conhecido também como azulão-do-cerrado, azulinho-de-bico-de-ouro e cidrinho. É uma espécie típica do Cerrado, onde vive geralmente em ambiente aberto de gramíneas, arbustos e árvores baixas. É considerada como espécie próxima de ameaça de extinção também pela rápida conversão de áreas de Cerrado para atividades antrópicas (BirdLife International 2004).
Seu nome científico significa: do (grego) porphura = púrpura; e de spiza = ave, pássaro, tentilhão; e do (latim) caerulescens, caeruleus = azulado, azul escuro. ⇒ Tentilhão púrpura azul escuro.
Mede entre 12,5 e 13 centímetros de comprimento. Apresenta massa corporal entre 13 e 15 gramas (Lopes, 2012).
O macho adulto se destaca pela exuberância de sua cor azul vibrante, presente por completo em seu corpo e que dá o seu nome científico (caerulescens) que significa “da cor do céu”, em latim. O macho ainda diferencia-se pela cor amarelo intenso de seu bico.
Os machos jovens no primeiro ano apresentam plumagem semelhante à da fêmea e o bico escuro. No segundo ano os machos já apresentam o bico amarelo, ma a plumagem é variegada de azul e marrom fuliginoso-castanho (provavelmente esta plumagem é que tem sido interpretada como sendo a de machos adultos em muda). Apenas no terceiro ano é que os machos adquirem a plumagem inteiramente azul cobalto, típica da espécie (Allen, 1981).
A fêmea tem cor predominantemente marrom, camuflando-se com o ambiente.
Os juvenis, com coloração semelhante à fêmea, vão ganhando o tom azul à medida que se tornam maduros.
O filhote apresenta largas comissuras labiais e íris castanha escura. A plumagem é predominantemente castanha escura, sendo a porção central das coberteiras das asas e das penas do dorso marrom acinzentada escura, coloração compartilhada pelas rêmiges e retrizes. O peito é mais claro, tornando-se quase branco na barriga e crisso.
Espécie monotípica (não são reconhecidas subespécies).
(Clements checklist, 2014).
Caça o seu alimento forrageando em campo pedregoso de mato ralo,de onde também alça pequenos voos para capturar insetos.
Lopes, (2012) cita a análise do conteúdo estomacal de um macho que revelou a presença de artrópodes (20% do volume), e de sementes secas (80% do volume). Os itens alimentares identificados foram: cinco adultos de Coleoptera (< 4mm de comprimento), um adulto de Formicidae (< 4 mm), uma larva de Lepidoptera (12 mm), uma Aranea (4 mm). Quarenta e cinco sementes de Poaceae (2 mm) e duas sementes não identificadas (1,5 mm) (Vasconcelos et al., 2008).
Os filhotes são geralmente alimentados com artrópodes de maior porte, tendo sido registrado o consumo de adultos de Orthoptera e Phasmidae e de larvas de Coleoptera e Lepdoptera (Buzzetti & Silva, 2005, Lima & Buzzetti, 2006).
Durante a reprodução o macho canta em um poleiro próximo ao ninho para delimitar o território.
O ninho é em forma de cesto baixo, confeccionado exclusivamente com folhas e hastes florais de gramíneas a poucos centímetros do chão, em meio a arbustos, medindo cerca de 80 milímetros de diâmetro externo e profundidade de 50 milímetros. O ovo é de formato ovóide e mede cerca de 20,4 x 15,4 milímetros. Apresenta coloração creme rosada clara, com algumas poucas e esparsas manchas marrom claras e outras marrom enegrecidas ao redor do polo rombo. O período de incubação é de 14 dias e apenas as fêmeas incubam, mas tanto machos quanto fêmeas se revezam na alimentação dos filhotes (Lima & Buzzetti, 2006). O colorido azul vistoso do macho e seu bico amarelo intenso, chama muito a atenção e pode ser um alvo fácil para predadores. A coloração parda da fêmea lhe permite uma boa camuflagem quando está incubando. A sua coloração se assemelha muito à coloração das gramíneas secas usadas na confecção do ninho e do local onde ele é construído. O tamanho médio da ninhada é de dois filhotes por estação com três ovos cada uma. A incubação dura cerca de 14 dias e os filhotes abandonam o ninho nove dias após a eclosão. Os filhotes e jovens permanecem acompanhando o grupo familiar até a estação reprodutiva seguinte.
Habita áreas de cerrado aberto com pedras e capim ralo (Sick 1997).
O campainha azul é uma espécie particularmente comum nos campos rupestres ao longo da Serra do Espinhaço, faltando por completo nas áreas de campo de altitude da Serra do Mar e da Mantiqueira (Vasconcelos & Rodrigues, 2010). Nos cerrados do Brasil central em áreas onde os campos rupestres não são encontrados, o campainha azul é geralmente observada nos cerrados rupestres, faltando por completo nas áreas de cerrado típico sobre solos não rochosos, ou em outras fitosionomias mais densas. (Lopes, 2012).
Ocorre na Bolívia e Brasil, do Maranhão a sudeste do Pará, Piauí, Bahia, oeste de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso.